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Atraso de Obras

July 1, 2017

Atraso de obras

Um problema que tira o sono de muitos compradores de imóvel na planta são os atrasos na entrega da obra. O que era exceção alguns anos atrás transformou-se em regra no mercado imobiliário e muitas empresas ultrapassam por meses, em alguns casos anos, a data de entrega prometida.

 

Há situações em que o atraso supera inclusive o prazo total da construção, ultrapassando quatro anos de espera. Além da demora, a falta de transparência e informações corretas sobre o andamento da obra causam inúmeros transtornos a quem espera se mudar para a casa própria.

 

Entre os maiores problemas estão a impossibilidade de planejamento de vida e o gasto extra com habitação. Fica impossível marcar o casamento, a mudança da escola dos filhos, a venda de outro imóvel, a negociação do aluguel atual, a troca de móveis e eletrodomésticos, entre outros dissabores. Impossível também manter a tranquilidade e a harmonia familiar quando a incerteza em relação ao maior patrimônio das famílias está em jogo.

 

E por que fator se atrasa tanto? Por vários motivos, especialmente o aumento do lucro das incorporadoras, mas nenhum imprevisível como querem fazer crer as empresas.

 

A realização de incorporação imobiliária envolve muito dinheiro e, em regra, as incorporadoras não investem capital próprio na construção, se valendo de financiamentos para suas obras. Para tanto, os agentes financeiros analisam os riscos desses empréstimos com base na estrutura das empresas e estipulam qual a capacidade de endividamento de cada uma.

 

Com o fluxo financeiro disponível, é muito fácil para as construtoras estabelecer o número de unidades e o tempo necessário para construção desses imóveis.

 

Mas, com o mercado aquecido, ofertas de imóveis semelhantes e com as mesmas propostas se espalham por todo lado e o cliente passa a ter mais opções de escolha. Comparando diversas oportunidades de negócios, que têm características e preços similares, o prazo de entrega passa a ser fator decisivo para a compra. Por isso, as empresas se aventuram a prometer um prazo de entrega mais curto, mesmo sabendo que será impossível cumprir.

 

Essa manobra faz com que as vendas aumentem. Logo, as construtoras precisam de mais dinheiro para acelerar o ritmo, mas esse montante não existe ou custará mais caro, já que o risco está aumentado. A solução é dividir aquele dinheiro disponível entre um número maior de obras, o que culmina na diminuição do ritmo das construções e, consequentemente, no estouro do prazo de entrega prometido. Tudo absolutamente previsível.

 

Por outro lado, as empresas também apostam na passividade dos compradores. Estudos mostram que apenas 3% ou 4% das pessoas prejudicadas pelos atrasos pleiteiam indenizações na Justiça, portanto, mesmo pagando justas indenizações a estas pessoas por força de decisões judiciais, ainda sim continua sendo muito compensador para as empresas venderem tudo aquilo que o mercado quer comprar, mas que sabem não serem capazes de entregar no prazo estipulado. É um risco calculado e uma perversa relação de custo benefício assumida pelas empresas.

 

Além do que, o preço dos imóveis vendidos, por força do contrato, continua sendo corrigido mensalmente pelo INCC (Índice Nacional da Construção Civil), um dos mais altos, senão o maior, indexador inflacionário, que permanece sendo aplicado mesmo com o atraso na entrega.

 

O problema é que o salário do comprador não tem a mesma correção e, enquanto o imóvel não fica pronto, a relação entre renda e despesa se distancia e, em muitos casos, inviabiliza a continuação do negócio. Embora muitos ainda insistem em dizer que a correção não causa desequilíbrio, pois apenas repõe o poder aquisitivo da moeda, é certo que índices muito diferentes tragam prejuízo e, por isso, se em certos casos não se consegue o congelamento do preço do imóvel, ao menos a troca de índice por um mais favorável tem sido garantida pela justiça.